TRATAMENTO DA DEPRESSÃO PERINATAL COM TERAPIA DE LUZ

O que sabemos
    • Depressão perinatal é uma complicação grave que ocorre em 1 a cada 10 gestações.
    • O uso de antidepressivos na gestação e amamentação é provavelmente seguro, porém, como qualquer fármaco, não é possível estabelecer completamente a ausência de riscos.
    • A terapia de luz é uma estratégia não farmacológica baseada em ciência do ciclo circadiano que foi demonstrada eficaz para depressão sazonal e não sazonal.

O que é a terapia de luz?

    • Exposicão diária (pela manhã) a uma fonte de luz de alta intensidade (até 10000 lux) com comprimento de onda similar ao da luz solar, simulando a luz do dia.
    • Promove regulação do ciclo circadiano, com efeitos esperados na secreção neuroendócrina.

Estudo
    • 22 gestantes no primeiro trimestre com escore > 12 no Edinburgh Postnatal Depression Scale, sem Depressão ou outro diagnóstico psiquiátrico foram incluídas no estudo.

Foram alocadas para 2 tratamentos:

    • Terapia de luz diária por 30 minutos 
    • Placebo (Luz vermelha fraca) diária por 30 minutos

Este foi um ECR single blind, ou seja:

    • As pacientes supostamente não sabiam qual era o tratamento ativo
    • Os avaliadores sabiam qual tratamento a paciente estava recebendo.

Foram avaliadas em 6 semanas com a mesma escala de sintomas; o desfecho foi remissão (redução >= 50% na escala).

Resultados

  • Houve uma redução mais expressiva nos sintomas depressivos nas gestantes que receberam tratamento por terapia de luz do que placebo, mas não foi significativa (escore final 5.5 vs. 11, p = 0.15).

     

     

  • Mais pacientes atingiram remissão no grupo que recebeu terapia ativa de luz (73%) do que no placebo (27%), p = 0.04

     

Limitações:

    • Esse é um estudo piloto, com poucas pacientes incluídas, e alguns problemas metodológicos: em especial, os avaliadores conheciam o status de tratamento das pacientes, que também poderiam facilmente descobrir qual tratamento seria o ativo pela diferença de intensidade da luz dos aparelhos.
    • As pacientes incluídas tinham sintomas depressivos, mas não diagnóstico de Depressão – não podemos extrapolar os resultados para quadros mais graves.
    • O estudo ocorreu na Suíça, onde há períodos de redução da luminosidade mais intensos do que no Brasil.

Na prática clínica

  • Estratégia interessante, com baixo risco associado, mas que requer mais estudos para confirmação da sua eficácia.

Referência

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