FDA APROVA NOVO MEDICAMENTO ORAL PARA DEPRESSÃO

O que sabemos
    • Uma proporção significativa dos pacientes com Depressão não responde aos tratamentos com antidepressivos, e a remissão costuma levar várias semanas para ser atingida.
    • Há pouca variabilidade nos mecanismos de ação dos medicamentos antidepressivos disponíveis, agindo primariamente inibindo a receptação sináptica de monoaminas (serotonina, noradrenalina e dopamina).
    • Novas evidências apontam para uma possível implicação do sistema glutamatérgico na fisiopatologia da Depressão.
    • Um novo agente de administração parenteral com eficácia na Depressão, a ketamina, age primariamente como antagonista do receptor glutamatérgico NMDA.
    • O dextrometorphano é um antagonista não-competitivo do receptor NMDA que tem uso oral, mas  biodisponibilidade baixa em humanos por ser rapidamente metabolizado pelo citocromo P450 (CYP)2D6.
    • Uma formulação combinada com bupropiona foi criada para aumentar a biodisponibilidade do dextrometorphano por inibição do citocromo.

Estudo
    • Ensaio Clínico Randomizado multicêntrico de fase 3 incluindo 327 pacientes com um Episódio Depressivo Maior moderado a grave randomizados para dextrometorphano 45mg + bupropiona 105mg (2x/dia) vs. placebo por 6 semanas de tratamento.
    • O desfecho primário foi a redução da escala de sintomas depressivos MADRS no período do estudo. O estudo foi duplo-cego.
Resultados
  • Comparado com placebo, o grupo que recebeu medicação teve uma redução mais expressiva dos sintomas depressivos, e a diferença foi significativa desde a primeira semana de uso.

  • A taxa de remissão foi maior no grupo que recebeu a medicação, e as diferenças se tornaram significativas desde a segunda semana.

Na prática clínica
  • Esta é a primeira medicação oral em 60 anos que é aprovada pelo FDA para Depressão e utiliza mecanismos de ação diferentes dos tradicionais.
  • No estudo revisado aqui, uma crítica importante foi ter randomizado pacientes para receber placebo, quando já temos fármacos eficazes para o transtorno.
  • A decisão se baseou neste estudo, e em outro (não revisado aqui) comparando a combinação dextrometorphano 45mg + bupropiona 105mg com bupropiona de forma isolada.
  • Os resultados parecem promissores no sentido de que o fármaco foi, em geral, bem tolerado, e que a resposta foi mais rápida do que o verificado usualmente para antidepressivos comuns.
  • No entanto, há fortes conflitos de interesse, já que ambos os trials foram financiados e organizados pela própria indústria que fabrica a medicação.
  • Novos estudos comparando com antidepressivos tradicionais (como ISRS/ISRN) e com financiamento público devem estudar melhor a efetividade dessa combinação.

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